#ESSE POST FAZ PARTE DA BLOGAGEM COLETIVA CONSUMO CONSCIENTE PROMOVIDA PELO BLOG A VIDA COMO A VIDA QUER #
Época de Natal, o consumismo patológico fica mais escancarado do que nunca, ainda mais se sobrar tempo - e tranquilidade - para lembrarmos do verdadeiro espírito de Natal.
Falar em consumo está na moda, felizmente, e é um tema que realmente precisa ser debatido. A coisa mais interessante que ouvi nos últimos tempos a respeito, num evento de que participei, foi uma singela releitura dos três R's (reduzir, reutilizar e reciclar): que tal recusar, repensar e, só se realmente houver necessidade de consumir, reciclar? Achei interessante porque é preciso sempre questionar o status quo. Evoluímos, estamos mais conscientes, mas é preciso mais, é preciso refletir, procurar sempre enxergar as coisas sob outros ângulos e viver numa constante reavaliação de nossas atitudes.
Mas não quero falar, nessa blogagem coletiva, sobre as ações pontuais que podemos adotar por um Natal mais consciente e sustentável. Quero falar de ações de médio e longo prazo. Motivada pelos resultados de algo que semeio, que já começam a aparecer, quero falar sobre ações relacionadas à criação de nossos filhos. Vou voltar a bater na mesma tecla, mas é oportuno.
Crianças e consumo, tema espinhoso e polêmico, mas que deveria estar sendo debatido em todas as casas. Infelizmente os principais alvos da propaganda são nossos filhos, que são também as principais vítimas, afinal eles ainda não tem condições de avaliar o que chega até eles pelos mais diversos meios e a todo momento, enquanto nós, adultos, ao menos em tese temos algum discernimento. As crianças hoje não escolhem o que querem comprar, pedem o que as propagandas determinam. Vide o documentário Criança, a Alma do Negócio.
Numa ocasião, ao defender a proibição de propaganda para crianças, ouvi de um publicitário que proibir ou regulamentar, medidas que são vistas com naturalidade em diversos países, seriam um cerceamento à liberdade: censura. Ouvi desse mesmo sujeito que os pais é que são os responsáveis por controlar o que chega a seus filhos. A primeira coisa que passou pela minha cabeça diante dessas atrocidades foi: controlar como, se os pais em geral não ficam ao lado dos filhos 100% do tempo e a propaganda chega às crianças através não só da TV, mas das escolas, da internet, nos DVD´s - sem opção de pular direto para o menu -, nas ruas, o tempo todo? Usando as mais variadas técnicas, quase uma hipnose, uma covardia! A segunda questão que me veio, essa ainda mais difícil de ser respondida, foi a seguinte: como alguem pode realmente acreditar que cada pai ou cada mãe é exclusivamente reponsável pelo futuro de uma criança? E a responsabilidade da sociedade? E do Estado? E da comunidade em que a família está inserida? É mais ou menos como dizer: dane-se o planeta, as gerações futuras que se virem pra sobreviver num lugar inabitável graças às ações dos que vivem nele no presente. Cada um por si, salve-se quem puder. Nossas ações não servem apenas para começar a salvar o planeta, mas vão muito além: são a semente para a ação dos homens e mulheres de amanhã - nosso filhos - e consequentemente das gerações que habitarão o planeta no futuro.
Os pais tem, sim, muita reponsabilidade, podem e devem, entre outras medidas, proibir a TV, como eu mesma faço em casa. Mas precisamos de APOIO. Porque criar filho não é uma tarefa nada fácil, e ao mesmo tempo é uma missão importantíssima, que merecia ser mais valorizada. Penso que falta consciência a muitos pais, mas também àqueles que tem poder. Não me refiro aqui ao poder do Estado, de governar, legislar e julgar, mas o grande poder de quem tem voz e meios para alcançar as pessoas, poder de influenciar, portanto de mudar o curso da história. Felizmente não falta consciência a todos, infelizmente ainda falta a muitos. Por isso venho defender, nessa blogagem coletiva, não apenas que comecemos já a aplicar em nossas vidas, na medida em que pudermos, uma atitude mais consciente, mais ecológica e mais responsável na criação de nossas crianças, mas que também lutemos por apoio. Porque o assunto é sério demais pra adotarmos uma filosofia "cada um por si". Precisamos de apoio, e isso é urgente.