Criança não curte "brinquedo que já vem brincado"
Adoro a expressão "brinquedo que já vem brincado". Eles são a maioria dos que vemos nas prateleiras das lojas, e quanto mais brincado mais caro é. E mais objeto de propaganda é. E mais status dá à criança/família que o possui. Nosso debate está muito interessante, e uma das principais razões para isso, pra mim, foi o fato de comprovar a tese de que criança não gosta de "brinquedo que já vem brincado". Criança gosta de caixa de papelão, de folha de jornal, de panela, de bacia, do baú onde os brinquedos ficam guardados, de pedaço de tecido, da cama dos pais, de rolar no chão com eles, do rosto da mãe.
Aliás, outra constatação, e disso sempre tive certeza, o brinquedo favorito das crianças não está à venda. A mãe primeiro, depois o pai também, nos três primeiros anos é deles que as crianças precisam. Da companhia deles, de sua presença em quantidade - se possível integral ao menos da mãe - e qualidade - de corpo e alma. Qualquer atividade, qualquer brincadeira, dessa forma, vira a favorita deles.
É claro que há brinquedos maravilhosos, imprescindíveis, brinquedos que, ao lado dos básicos que mencionei acima, instigam a imaginação, e que ao mesmo tempo estimulam o desenvolvimento. É importante não estimular em excesso, respeitando as fases pelas quais a criança precisa passar. Deve-se atentar também - assim recomendam alguns - para os materiais com que os brinquedos são produzidos - materiais naturais como madeira, tecidos não sintéticos como algodão, lã e seda, por exemplo. Há que se considerar, também, o gosto de cada criança - porque desde bem pequenos eles manifestam suas preferências e elas devem ser respeitadas! E precisamos incentivar o brincar livre, aproveitar a hora de brincar pra ensinar a diversidade - por que não comprar carrinhos pra meninas brincarem, ou bonecas para os meninos? Mais uma vez: "brincar é coisa séria"!
Penso que falta, hoje, um pouco de disponibilidade e visão crítica por parte dos pais. Disponibilidade para estar com nossas crianças tanto quando deveríamos e observar suas pereferências e necessidades; visão crítica para avaliarmos o que oferecer a eles, para descobrir o que é realmente melhor para eles. Vivemos na era da hipnose consumista, compramos o que querem que compremos, gostamos do que querem que gostemos, e perdemos a capacidade de avaliar o que queremos de fato, para nós e para nossos filhos.
Nosso debate em parceria com o Mulheres na Rede e com o concurso É Hora de Brincar! do Desabafo de Mãe continua! Desabafem no Desabafo e contem aqui quais são os brinquedos favoritos dos seus filhos e concorram ao livro Mães - o que elas têm a dizer sobre educação, de Márcio Vassalo e ao DVD Amizade, da Coleção MPBaby, da MCD, respectivamente.
E fico devendo contar pra vocês quais os brinquedos favoritos da minha Pipoca, em fases passadas e atualmente. Fica para o próximo post, se o debate permitir.
Em tempo: os blogs Luana Menezes, Lu Ivanike, Ana Laura, Simone Miletic, Graziela e Ana Cláudia Bessa também estão promovendo debates, valendo prêmios maravilhosos, em torno do tema brincar. Participem!
* imagem: montagem de fotos de brinquedos Nova Natural Toys & Crafts







14 comentários:
Concordo! Tem coisa melhor do que montar uma cidade no jardim, com galhos, folhas e pedras, onde os habitantes são as formigas? Ou criar formas, bonecos, espaçonaves, com massa de modelar? Criar histórias com uma goiaba caída do pé? Ou com uma borboleta colorida que insiste em nos rodear? Isso pra mim é brincar, mas demanda tempo, disponibilidade, que algumas pessoas "não têm". Adoro essa possibilidade que a infância proporciona: do sonho, da inventividade, da imaginação...isso tem que ser estimulado e não apagado por brinquedos prontos, né?
Bjo!
Adoreil a frase "Brinquedo que já vem brincado." Difícil este momento que vivemos de tanta oferta e tanto pensamento! O pior é que nós que buscamos as borboletas, acabamos rotulados. Não me esqueço um dia que uma tia deu presentes de aniversários pros meus filhos e disse: "No ano que vem eu dou um brinquedo educativo, tá". Como se eu fosse criticar o que é que ela tenha dado. Pensativa, sim. Mau educada nunca! Rs. Mas o bom é que esta tranqueirada quebra na mesma velocidade que as crianças se esquecem delas. Fica o desperdício de dinheiro. E o maltrato ao meio ambiente. Adorei seu blog e as fotos. Um beijo!
Leilah, essa magia da infância é o máximo, mas não é tão fácil lidar com ela. Porque a gente vai crescendo e perdendo a capacidade de brincar mesmo (só descobri isso depois que me tornei mãe), e quando vem o filho e a gente se depara com esse universo assusta. Assusta mesmo! Mas tem o outro lado, pode ser uma experiência maravilhosa, até mesmo uma forma de resgate, se nos permitirmos.
Um beijo grande!
Re
Taís, é preciso mesmo ter jogo de cintura, acreditar muito nas nossas ideias e ter sempre força de vontade pra bancar essa "proteção" para nosso filhos. Porque a gente acaba sendo muito criticada. Em relação à alimentação acontece o mesmo, tem um monte de gente que morre de dó porque a Pipoca não come pirulito nem bala. E hoje mesmo ouvi da minha mãe, quando falei que tinha proibido de maquiarem a criança pra apresentação do balé: - ah, que é que tem, só um gloss, só um batonzinho, tadinha...rs
Pra mim não dá, uma criança de 3 anos de maquiagem é algo surreal!
E o mesmo se dá com a questão dos brinquedos. Nesse quesito até que sou mais flexível, sabe? Mas às vezes penso que nem devia ser...e acrescento aos desperdício de dinheiro e do meio ambiente, como vc bem lembrou, o desperdício da nossa energia e saúde mental...rs
beijo
Renata
Rê, muito legal suas conclusões sobre brincar nessa roda de conversa, mas confesso que seu comentário me chamou mais atenção porque sinto que o cuidado que tem com a Pipoca é necessário e, por pura preguiça ou acomodação, a gente deixa passar. eu não sei avaliar até que ponto devemos proteger nossos filhos do mundo que temos hoje. essa balança é complicada ainda pra mim, mas acho que é hora de dar continuidade na reportagem sobre as conclusões até agora. bjkas! e obrigada sempre
Rê, você está coberta de razão. Aqui em casa acontece exatamente isso, eles gostam de inventar. E sobre as bonecas para os meninos, ando pensando seriamente nisso para um dia desses. Na escola, tem boneca e banheira para eles brincrem de dar banho e outro dia, cheguei na escola e lá estava ele com a boneca no colo brincando no parquinho. Achei uma delícia!
Ceila, acho que não se trata só de preguiça ou acomodação, mas viver (ou tentar viver) fora do mainstream é difícil mesmo! Ser diferente é difícil (toda mulher-loba sabe o que é ser Patinho Feio, não é mesmo?), temos que enfrentar muito pra viver de acordo com o que acreditamos, quando o que acreditamos é diferente do pensamento geral corrente.
Mas o que importa é que tentamos aprender e procuramos fazer o melhor que podemos...
beijo!
Re
Ana, acho super válido dar essa liberdade pra criança brincar, e de quebra não incentivamos essa história de brinquedo, cor etc. de menino x de menina.
Te mandei um email hoje com notícias!
beijo
Re
Rê, na verdade, os brinquedos que nossos filhos mais gostam não são brinquedos. São objetos que instigam a imaginação. A Daniela tem feito a banheira de "ôbus", no qual passeiam a Barbie, o Taco (uma boneca que ela chama assim)e o Pato de pelúcia dela. Os "briqudos que já vem brincados" são lindos, mas é muito mais gostoso criar brinquedos para brincar!!!!
Parabéns, o debate aqui está lindo!!!!
Beijos
Renata, agora lembrei da minha infância e dos meus brinquedos preferidos... você lembra dos seus?
Eu tive bonecas caras, e brinquedos brincados...mas lembro que eu gostava mesmo era de brincar com meus vizinhos, com as plantas, com os animais, com as roupas e sapatos da minha mãe.. essas coisas que se transformam em milhares de outras aos olhos das crianças.
Em relação aos pais, eu concordo com você que muitas vezes falta mesmo um pouco de envolvimento... É aquela "falta de tempo" costumeira, e o brinquedo brincado está ali..tão fácil, tão na moda.. por que não comprar?
beijo
Lu, vide as fotos que postei hoje. A Pipoca se acabou de brincar com pregadores de roupa!
Não quero de forma alguma desmerecer os outros brinquedos, mas se o pregador de roupa vira boia de braço pra Barbie fazer natação, pra que comprar a boneca com 1000 acessórios que só o encarecem?
Beijo,
Renata
Ah, Bruna, eu lembro de alguns sim. Tive uma boneca de pano que ganhei de um porteiro que trabalhava num prédio na rua onde eu morava. Eu a chamava de "boneca feia", mas era uma das minhas favoritas. Tive um feijãozinho, um bonequinho pequenino, que adorava. Tive muitos playmobils, eles viviam altas aventuras, acampavam na floresta qeu ficava nas plantas da minha mãe. Embora não tenha tido aquela infância de brincar na rua (na época o Rio já não era o mesmo que encantou Tom e Vinicius), tb adorava brincar na praia e em parques, tenho muita lembrança e muitas fotos fazendo atividades ao ar livre. Adorava livros, adorava artes. Outro dia mesmo estaa contando pro meu marido da árvore de Natal com galhos que recolhi num parque que fiz numa colônia de férias qdo era criança.
Que nostalgia! Como perdemos contanto com a criatividade e a imaginação na medida em que vamos crescendo...e os filhos, de certa forma, permitem que resgatemos um pouco disso tudo...
beijo!
Renata
Oi, adorei o texto. Acredito que fui uma criança preiviliegiada por não ter recursos financeiros neste sentido, brincava com trapos, argila, o que tivesse na mão, acreditoq ue isto desenvolve a criatividade das crianças. Também penso nas crianças no Natal com seus pais "consumistas", acreditando que o melhor brinquedo é aquele mais caro. um grande abraço!
Andrea, obrigada pela visita e pela participação!
COm esse debate comprovamos a tese de os brinquedos mais simples são os melhores, e seu depoimento é mais um a confirmar essa ideia.
beijo
Renata
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