Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Debate em parceria com o Desabafo de Mãe: quais os principais desafios da escola do seu filho?

"No aeroporto o menino perguntou: - E se o avião tropicar num pasarinho? O pai ficou torto e não respondeu. O menino perguntou de novo: - E se o avião tropicar num passarinho triste? A mãe teve ternuras e pensou: Será que os absurdos não são as maiores virtudes da poesia? Será que os despropósitos não são mais carregados de poesia do que o bom senso? Ao sair do sufoco o pai refletiu: Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças. E ficou sendo."
(Manoel de Barros, Exercícios de Ser Criança - grifos meus)

A partir de hoje estou promovendo, em parceria com
Desabafo de Mãe, o Concurso Escola. Pra quem tiver interesse em participar, proponho o seguinte debate: quais os principais desafios da escola do seu filho?
Pergunto isso porque, como já comentei por aqui, estou em processo de escolher a escolinha em que a Pipoca vai iniciar sua vida de "estudante", e tenho procurado ouvir as experiências de quem já vivenciou essa busca e de quem tem filhos em idade escolar. O que pesou na hora de escolher a escola? O que se espera da escola? Qual o aspecto mais importante a ser considerado para uma educação adequada na primeira infância?
O poema acima, do "alquimista do verbo" Manoel de Barros, revela de forma sutil e com extrema sensibilidade o que considero mais importante quando penso na criação e na educação das nossas crianças: a LIBERDADE.
Sempre penso nas crianças como uma sementinha que - li isso em algum lugar - pode vir a se tornar uma flor, um arbusto ou uma frondosa árvore. Vai depender de um conjunto de fatores. Do solo, da água e do clima, entre outros.
A criança é, portanto, um universo maravilhoso e ilimitado, em potencial. O desabrochar desse potencial depende também de uma conjuntura. E por ela nós - pais, família, educadores, Estado, sociedade - somos todos responsáveis.

Tenho observado, no entanto, com imensa tristeza, que estamos desperdiçando o potencial de nossas crianças, de forma negligente e inconsequente. Mas essa minha afirmação nada tem de pessimista, muito pelo contrário. Sigo investindo pesado na minha sementinha e escrevendo a respeito do que acredito, engajada na luta pelo bem de nossas crianças e consequentemente por um futuro melhor.
Pois então. Se vocês compartilham essa preocupação, o Concurso Escola pode ser um começo. Seus comentários aqui valem um kit escolar da Mercur, além do livro Exercícios de Ser Criança, de Manoel de Barros (Ed. Salamandra), uma pérola da literatura infantil, presentão para adultos e crianças. Ambos os prêmios caberão a quem escrever o comentário mais interessante. O debate começa agora e vai até dia 15 de outubro, PARTICIPEM!
Vocês também podem escrever no seu blog ou no site do Desabafo de Mãe sobre os critérios que adotaram para escolher a escola dos seus filhos. O melhor texto concorre ao livro Trolls, os Fura Dentes, de Nina Blychert, Editora Cosac Naify. Ainda dentro do tema escola, estão acontecendo debates nos blogs A Vida Como a Vida Quer e Lu Ivanike, que estão distribuindo outros prêmios.
Enfim...a conversa está aberta e gostaríamos muito de ouví-los.
Sejam muito honestos em suas opiniões e...caprichem!

14 comentários:

Ceila Santos disse...

Oi rê, meus desafios são tantos, mas o principal deles é descobrir um caminho para dialogar com a escola da Malu. Enfrento um desafio terrível de saber colocar as críticas de forma que elas sejam ouvidas em busca de melhorias e não como um ataque. Descobrir um jeito de comunicar com a escola, o que é bastante complicado. As reuniões nem sempre são feitas no formato ideal para que haja participação. Até hoje não sei qual metodologia de ensino da escola porque ela nãos egue aquelas mais divulgadas como construtivista, waldorf ou socio-construtivista. Ou seja, meu principal desafio é conhecer a escola para poder avaliar o que oferecer a minha filha. Bom debate por aqui e muita sorte nesta empreitada!

Renata disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Renata disse...

Sabe, Ceila, em todas as escolas que visitei questionei como era a participação dos pais, como era o diálogo escola-família, mas as respostas que obtive foram meio evasivas, exceto numa das escolas, que inclusive foi a que eu mais gostei, como comentei naquele mega post que escrevi sobre as primeiras visitas. Nela eu conversei com uma das donas, uma pessoa que pareceu super apaixonada pelo que faz e presente na escola. Ela foi a mais sincera, e me disse que a participação dos pais é pífia. Nem em reuniões eles comparecem. Parece que já tentaram vários horários e dias pra ver se o quorum melhorava, mas não teve muito jeito...porque os pais não tem tempo! Eu até acredito nisso, mas é complicado, não? O diálogo fica nas agendas, mais restrito a questões de ordem prática. Acaba que alguns se envolvem mais em época de festas (a junina, especialmente, que muita gente curte) e dia das mães e dia dos pais, que normalmente são os eventos mais importantes das escolas.
Além da falta de tempo, muitos pais que conhece consideram que educação infantil não é tão importante, que criança vai pra escolinha só pra brincar, logo qq uma serve. Os que se preocupam mais, em geral, é porque vivem aquela ansiedade com o futuro dos filhos, sabe a cultura de resultados? Querem que o filho passe no "vestibulinho" da escola mais forte, que aprova mais no vestibular...só que acho uma grande absurdo crianças tão pequenas sendo submetidas a exames e à pressão que vem de carona nesse processo, né? Acho que educação infantil não é só brincadeira, ou melhor não é só juntar um bando e crianças e largá-las brincando, mas tb não é dá pra ficar pensando em aprovação na faculdade. Acho tudo isso muito louco, enfim...
Mas o que queria dizer é que, além da questão da metodologia, acho que a comunicação (ou a falta dela) da escola com os pais é tb um grande desafio.
beijo

Ceila Santos disse...

é aquela história do ovo e da galinha, entende? Os pais não participam porque não tem cultura de participação e as escolas não sabem ouvir porque não há interesse dos pais. Eu tenho andado nos corredores da educação e sinto que esse jogo de empurra-empurra não sai do lugar mesmo quando um dos agentes resolve mudar. é bastante complicado porque é dificil convencer o pai a participar e além disso, caso alguém consiga essa vitória tem que enfrentar a cultura das escolas que não sabem ouvir. Eu não tenho dúvida de que esse talvez seja o principal desafio que nós, blogueiras, mães e professoras junto com site do Desabafo de Mãe podemos contribuir para no mínimo divulgar mais sobre os bastidores da escola e permitir que falamos a mesma língua. Ou melhor que saibamos traduzir o que o outro fala. a luta continua e tomare que alguém entre nessa conversa pra ganhar o kit da mercur ou pra colocar pimenta nessa conversa. brigaduuuuuuuu

Lu Ivanike disse...

Oi Re... Sou do Lu Ivanike e estou amando seu blog... Já tenho visitado há alguns dias!!!!
MAs deixa te contar... A primeira escola da minha filhota, quando fui conhecer, fiquei encantada! Brinquedos lindos, tudo limpinho, uma boa vontade da parte de todos que me deixaram apaixonada (e não era das mais caras não). Tudo começou a ruir depois de uns dois meses.Entrar na escola só era permitido com aviso de um dia de antecedencia (por segurança eles diziam), não podíamos passar do corredor (para não invadir a privacidade das salas) entre outras coisas. O estopim da minha indignação foi uma varicela que minha filha pegou. Como mãe e cidadã informei mediatamente a escola que ela estava com varicela. A resposta da pedagoga foi que ficasse tranquila porque era o quarto caso na semana. Como assim????? Ninguém avisa que está tendo surto de varicela na escola???? O resultado desta ngligência foram quatro dias de convulsões, infecção generalizada e até hoje minha filha toma Gardenal por complicações da varicela que ela incubou durante dez dias. Nem preciso dizer que ela não voltou para a escola!
esse ano procurei com olhos de criança, afinal, ela tem 2 anose meio. Não precisava de tudo aquilo, ela adora parquinhos, areia e liberdade para brincar. A atual escola não tem brinquedos Fisher Price, mas tem brincadeiras ao ar livre, professoras carinhosas e atenciosas (às vezes até demais) que estão sempre dispostas a conversar e cmpartilhar informações sobre tudo que acontece na escola e fora dela. Boa sorte na sua busca!
Beijos

Renata disse...

Nossa, Lu, que loucura. Isso foi criminoso! É o extremo do problema de comunicação pais-escola. Outra coisa que entra aí: acho que a escola tem que ter uma filosofia, uma forma de pensar e agir parecida com a da família. Esse lance de proibir visita, só com aviso prévio, me assusta um pouco. É como o "prazo" para a mãe ficar na adaptação. Acho meio absurdo, porque a mãe deveria ficar o tempo que fosse necessário, afinal cada criança tem seu tempo. E se a situação se extender demais é porque a criança não se adapta, então é melhor não ficar na escola. Acho que as escolas deveriam avaliar quando uma criança ainda não está preparada pra ficar sozinha nelas.
Beijo
Renata

Ana Cláudia Bessa disse...

Como disse a Ceila, meu maior desafio é também me comunicar com a escola. Tenho tantos ajustes finos que estou buscando caminhos para uqe minhas observações não sejam desmerecidas como aquela mãe que reclama demais...E eu ainda fui escolhida como Mâe-Representante.

Sendo assim, consegui marcar um horário semana que vem para conversar com a professora e com a responsável pedagógica da escola e meu desafio foi tratar de 2 assuntos principais:
A mudança de turma que está sendo trabalhada para meu menino(lá essa transição não é por idade mas por desenvolvimento do aluno seguno avaliação dos professores, só que meu menino está pronto mas não está aceitando) e a entrada do meu caçula na escola (na turma do irmão - o que as professoras recomendaram esperar o mais velho mudar de turma). Só que o caçula está agitado e ansioso por viver isso e se sente muito sozinho em casa sem o irmão. Como a professora está grávida, prestes a entrar de licensa, queria estar mais perto dessa situação como um todo.
Nessa reunião, depois desses assuntos, quero tratar de mais 2 assuntos referentes à escola em si de forma a não deixar todos os assuntos para a reunião coletiva de pais: o papel e atuação da Mãe-representante para a escola, acontecimentos da festa junina.
Vamos ver como vão ser as respostas e reações. A Escola é Montessoriana e eu ainda tenho muito o que aprender a respeito mas sinto pouca abertura da escola.

Não é fácil, mas como não existe escola perfeita, temos que pelo menos tentar antes de desistir e mudar de escola. Até porque não é uma mudança que se faz toda hora.

Ana disse...

Nossa, acho que isso é mais comum do que eu pensava - a falta de comunicação entre a escola e os pais...

Como é minha mãe que leva meu filho para a escola, e na hora de buscar, é muito difícil conseguir conversar com as professoras, eu tento usar a agenda como meio de comunicação.

Tento, pq nem sempre tenho sucesso. Uso a agenda para mandar recados, fazer perguntas, enfim, tudo que eu gostaria de falar pessoalmente mas não tenho oportunidade. E na maioria das vezes, recebo respostas evasivas, isso quando recebo alguma resposta.

As reuniões de pais são a cada seis meses (!) e a participação dos pais é mínima. Isso me incomodou muito. Todo mês recebemos uma avaliação por escrito das crianças (como participa das atividades, como aceita as mudanças, enfim). Realmente, a "avaliação" é muito bem feita, bem detalhista, mas falta a parte do contato mesmo, de tirar dúvidas, de dar sugestões...

Mas parece que esse é um desafio geral...

Renata disse...

Ana, é a sua cara ser mãe-representante...rs
Estou assustada com as experiências de vcs em relação a dificuldade de participação junto às escolas. É uma questão cultural mesmo, portanto um grande desafio!
Eu tb não conheço nada de pedagogia montessoriana, mas já ouvi falar que rola um respeito grande pelo ritmo da criança. Agora uma coisa que não me agrada (isso tb na pedagogia Waldorf) é colocar crianças de idade muito diferentes na mesma turma). Mas isso é tema pro debate do blog da Sam, né?
beijo e obrigada pela participação.

Renata disse...

Sem dúvida, Ana, esse parece ser um desafio geral. Não só a comunicação, mas tb o estabelecimento de uma relação satisfatória. COmo a Ceila colocou, é a história do ovo e da galinha, não se sabe o que vem primeiro. A falta de tempo, ou mesmo interesse em aprofundar uma relação com a escola, por parte dos pais, e a escola também não parece ter interesse em ouvir ou discutir com os mães questões que vão além da rotina/agenda e avaliações periódicas.
E isso tudo é cultural, o pior é isso. O bacana desse debate é isso, vamos constatando juntas quais são os problemas, pra quem sabe reunir coragem pra arregaçar as mangas e tentar mudar isso.
Como mãe ainda inexperiente nesse universo, estou curiosa também pra saber que outros desafios os pais enfrentam!
beijo
Renata

Ana disse...

O pior de tudo é quando a escola tem uma iniciativa legal e exclui os pais disso...

Ontem mesmo, recebi um comunicado na agenda. Amanhã a escola vai fazer uma atividade dentro da "Semana dos Bons Dentes" - que eu nem sabia que estava acontecendo...

Uma dentista vai até a escola, para brincar com as crianças e ensinar a escovar os dentes. Também vai haver um lanche comunitário, e os pais devem providenciar algumas coisas para mandar (cada criança vai mandar uma fruta, um suco e um lanche diferente - nozes, castanha do pará, castanha de caju, avelâ, amêndoas ou frutas secas).

O objetivo é "fazer um lanche comunitário para que as crianças experimentem alimentos diferenciados e texturas variadas, ajudando assim no crescimento da arcada bucal e no paladar das crianças, sem deixar de lado o aspecto nutricional do lanche".

Achei uma iniciativa muito legal, mas acho que os pais deveriam ser avisados com mais antecedência, que pudessem dar sugestões, participar disso com os filhos... conheço mães que são dentistas, nutricionistas, que poderiam ter ajudado nesse projeto (e mesmo outras mães como eu, meras mortais, que adorariam conversar sobre isso com outros pais e com as professoras!)

Renata disse...

Ana, a iniciativa é mesmo excelente, imagino que a escola do seu pimpolho seja bacana...e a questão da comunicação está me parecendo um problema geral, e com muitas facetas. Vc colocou mais uma aqui: não se trata de a escola estar ou não aberta a críticas, não se trata de comunicação de questões cotidianas. Aqui o problema é: por que não ouvir a opinião dos pais, que poderia enriquecer ainda mais uma iniciativa bacana? Realmente fica dificil de entender. Pra mim ainda mais, afinal ainda não entrei nese universo de verdade. Aliás esse debate está sendo muito bom pra mim tb como uma preparação pra o que está por vir e pra aprender que não devo de forma alguma idealizar a escola que eu venha a escolher para a Pipoca, qq que seja ela.
Obrigada por participar!
Beijo
Renata

Ceila Santos disse...

Ana, você tem certeza de que nossos filhos não estudam na mesma escola? porque eu passo por isso todo dia. a escola tem vários eventos legais, mas não dá nenhuma abertura para que nós possamos participar de forma mais ativa. eu tenho me tornado chata e isso é péssimo, mas foi a única forma que descobri para participar mais. exijo cada dia que passa mais informação sobre a rotina da Malu e intrometo em tudo, mas pago caro por isso. sinto que sou incoveniente...

Renata disse...

Meninas, a falha (ou falta) de comunicação e o relacionamento entre pais e escola são mesmo problemas gerais! Estou abismada com isso! O lado bom é que quando entrar nesse universo já vou ter essa bagagem que estou absorvendo das experiências de vcs. Como esse dabte é enriquecedor!
No segundo post que escrevi sobre o debate (http://acontecedentro.blogspot.com/2008/09/nosso-debate-em-parceria-com-o-desabafo.html) surgiu duas novas questões que tb considero muito importantes: religião e diversidade. O que vcs pensam a respeito? Comentem lá também!
Beijo
Re