Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Onde perdemos nossa capacidade de contemplação?

Hoje, entre o fim da manhã e o início da tarde, depois de ter ido e vindo da natação com a Pipoca - e passado numa lojinha pra comprar roupinhas de balé pra ela fazer uma aulinha experimental na semana que vem - sentei na minha varanda, ao lado do meu cachorro, enquanto minha futura bailarina brincava vestida com a sainha rosa que compramos. O tempo está melhorando, depois de tantos dias tenebrosamente chuvosos e frios. A temperatura estava perfeita, e um sol fraquinho batendo no meu rosto fez com que me ajeitasse na poltrona para aproveitá-lo sem que alcançasse meus olhos. Contemplei as nuvens, o céu, e pensei na vida. Fiquei sentada , quieta, até me encher de coragem pra levantar dali e rumar pra cozinha, pra arrumar nosso almoço.
Depois que me deitei com a Pipoca, para o soninho dela da tarde, fiquei pensando nisso e minha mente hiperativa já voou longe, tão longe que agora que sentei pra escrever esse post já não consigo mais lembrar de boa parte das ideias que surgiram. Mas tudo que pensei partiu de um questionamento básico: por que não faço isso mais vezes? E olha que tenho tempo e condições de, ao menos de vez em quando, ao menos alguns minutos por dia, olhar para o nada, pensar na vida, ou simplesmente contemplar. Por que não faço isso mais vezes, então? Por que nós, seres humanos modernos, não fazemos isso?
Entre outras coisas, pensei na questão da informação. Muito mais do que a falta de tempo que nos acomete (tantas tecnologias são desenvolvidas para que ganhemos tempo, mas o efeito parece inverso, pois cada vez temos menos tempo), vivemos num ritmo frenético e sem fim pela informação. Trocando, buscando, absorvendo informação. O tempo todo, e quanto mais melhor. Vivemos conectados na internet, lendo livros, revistas ou mesmo conteúdos da web, vivemos falando ou trocando mensagens por meio do telefone ou da internet, de onde quer que estejamos, a todo momento. Daí que contemplar significa se desconectar um pouco, não trocar nem absorver informação por alguns momentos. É quase uma meditação. É difícil, mas delicioso de se praticar. Eu mesma me incluo nisso: quase nunca paro, quando minha filha dorme ou se tenho alguem me ajudando aproveito pra ler jornal, ler blogs, ler livros ou revistas, assistir filmes ou reality shows, sempre estou lidando com informações. Minha mente quase nunca descansa. A gente paga terapeuta pra ter reservada uma hora, uma hora e meia por semana pra olhar pra dentro de nós mesmos com calma, com cuidado. Ainda bem que eles existem, e a minha sabe que falo isso do fundo do coração.
Onde quero chegar com isso? Não sei, estou pensando alto. E agora estou com preguiça de continuar pensando, e mais preguiça ainda de continuar escrevendo sobre isso. Vou parar por aqui.

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