O que ando lendo (e ouvindo) por aí - reflexões e desabafos
O lado B da maternidade (e da paternidade)
"Raising a child is easily the most maddening thing I've ever done. It is, of course, also the most rewarding thing I've ever done. The latter gots a lot of attention - frozen in time and assembled neatly in picture albums, scrapbooks, family stories - while the former, nearly as significant in th ebig, day-to-day cheme of things, is the subject of ominous public service announcements and scolding lokks from strangers, your parents and your mate. Everybody gets mad at their kids; nobody likes to talk about it"
(Greg Knauss, Peas and domestic tranquility, uma das crônicas do livro Things I learned about my dad (in Therapy), organizado e editado por Heather B. Armstrong)
Verdade verdadeira, e dolorosa pra muitos. Pra maioria, acho.
Minha filha me tirou do sério muitas vezes. Numa delas liguei para meu marido gritando e chorando e exigi uma babá imediatmente, pra que eu pudesse ir atrás de um emprego. A gente tende a esquecer desses momentos, só fica mesmo o que pode virar piada.
Posso dizer que me parte o coração lembrar da carinha, do olhar dela, na última vez em que gritei com ela - e fui agressiva*, pois passou do meu limite e eu realmente fiquei com raiva. O pior de tudo foi que ela nem tinha tanta culpa assim, eu é que já não andava bem.
Estou tão determinada a fazer o melhor pela minha filha, e ao mesmo tempo (e apesar disso) preciso sempre lembrar que ficar remoendo culpa não está com nada. Nessa luta cotodiana, não posso esquecer de que sou humana e que cuidar de mim mesma, me acolher e me perdoar são pré-requisitos para que eu atinja meus objetivos. Essa é certamente é a melhor estratégia pra lidar com isso. Pra mim e pra ela.
É interessante também observar o reflexo disso na blogosfera, especialmente na blogosfera materna. Pra não dizer que nunca li a respeito disso na blogosfera, lembro de ter lido algo em algum blog, de que não me recordo agora, e o tema foi suscitado pela tragédia da menina Isabela Nardoni. Mas foi só, afinal os blogs de mamães e bebês, assim como os albums, costumam deixar o lado B de lado, na sombra.
* Sem bater. Não bato porque sou contra - inclusive tenho muito receio - de castigos físicos Mas grito e me descabelo, quem nunca se descontrolou que atire a primeira pedra.
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Rituais
"Sacred parenting is all about accepting where I actually am, balanced with knowing that i alwys have the power to grow"
(Leslie Vasquez, Mommy rituals, Mothering may-june, 2008 issue)
Nessa matéria, a autora - mãe de dois, dona-de-casa e escritora freelance - lista uma série de pequenos rituais que adota no seu dia-a-dia, como ler por prazer, se conectar com a natureza e dançar. Me fez perceber que, nos últimos tempos, pior do que ter deixado de lado muitas das minhas atividades individuais, não tenho meus próprios rituais. Aos livros tenho dedicado menos tempo, as sessões de terapia estão menos frequentes, meu banho é na correria...até os pequenos rituais com minha filha, as brincadeiras e os momentos de leituras têm sido custosos. Sei que estou vivendo tempos complicados, nem seria justo me cobrar por isso. Minha filha está dando os primeiros sinais de independência e talvez a vida de SAHM não esteja mais me preenchendo. O isolamento que essa vida de certa forma traz talvez esteja alcançando o meu limite...Será? Por enquanto só sei que nada sei.
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Filosofia infantil: descobrindo o mundo
Ontem, enquanto estava tentando começar a escrever esse post, a conversa da minha filha com meu marido no banheiro me chamou atenção. Ela, que está entrando na fase dos por ques e das perguntas desconcertantes, tinha acabado de fazer o número 2 e chamou o pai para limpá-la (ah, esqueci de contar que agora ela não quer que ninguem vá com ela ao banheiro, simplesmente se dirige pra lá, abre a porta, abre o penico, abaixa a calcinha e a calça/short/saia e faz. Quando é o número 1 eu tenho que ficar na espreita, porque senão ela se limpa sozinha - mal e porcamente e usando quase meio rolo de papel higiênico -; quando é o 2 ela chama a gente pra limpar). Enquanto ele a lavava, o seguinte diálogo se seguiu:
- Papai, você faz cocô?
- Eu faço, filha.
- E a mamãe?
- Também.
- E a vovó? E o vovô e titio? E o Schumi?
E por aí foi, a família toda, as empregadas...até o pai dela não conseguir responder mais de tanto rir com as descobertas filosófico-escatológicas da nossa princesa.







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